História
A freguesia de Salreu, integra-se numa região profundamente marcada pela presença da Ria de Aveiro, elemento determinante na sua história, identidade e desenvolvimento económico e social.
O topónimo Salreu é interpretado por alguns estudiosos como derivado da expressão “Sal a reu”, significando sal em abundância, uma referência às salinas que, em tempos antigos, existiram na zona devido à configuração natural da Ria de Aveiro, tendo essa atividade sido economicamente importante para a população local.
A ocupação humana do território remonta a tempos antigos, integrando a área do antigo couto de Antuã, indícios de povoamento que remontam a períodos anteriores à ocupação romana. Ao longo dos séculos, Salreu afirmou-se como uma comunidade essencialmente ligada à agricultura, à pecuária e às atividades tradicionais associadas à Ria de Aveiro, como a pesca, a apanha de moliço e o transporte fluvial, beneficiando da fertilidade dos solos e da abundância de recursos naturais proporcionados pela ria e pelos terrenos agrícolas envolventes.
No plano religioso e social, a primeira referência documental à existência de uma igreja em Salreu data de 1106, quando os herdeiros da vila rústica de Salreu confirmaram e integraram terrenos junto à igreja sob a invocação de São Martinho, que viria a ser o padroeiro da freguesia.
Ao longo dos séculos, Salreu integrou diferentes estruturas administrativas: foi padroado do Mosteiro do Lorvão e, territorialmente, pertenceu ao senhorio de Figueiredo do Rei antes de integrar o concelho de Pinheiro da Bemposta no século XVII. Em 1835, a freguesia foi oficialmente anexada ao município de Estarreja, onde permanece até hoje.
Uma importante mudança administrativa foi a elevação de Salreu à categoria de Vila em 19 de dezembro de 2004, medida que reforçou o estatuto urbano e a projeção da comunidade.
Durante grande parte da sua história, a economia local girou em torno de atividades ligadas ao ambiente lagunar e à agricultura. A produção de sal e, mais tarde, de arroz foram fundamentais para o sustento da população, ligando Salreu às atividades comercias de salga de peixe e conservação de alimentos — produtos que, em diferentes épocas, foram relevantes internacionalmente.
Nos tempos mais recentes, a orizicultura (cultivo de arroz) e a agricultura continuam a marcar a identidade da freguesia.
Salreu tem uma vida associativa e cultural dinâmica. Um dos símbolos dessa vivência é a Banda Visconde de Salreu, fundada a 1 de outubro de 1925, que já ultrapassou o século de existência e consolidou-se como uma referência cultural e social na região, reunindo gerações em torno da música e da comunidade.
A freguesia celebra diversas festas e romarias, entre as quais a do padroeiro São Martinho (11 de novembro), e a Sª do Monte (15 de agosto) que reforçam as tradições religiosas e festivas locais.






